Sobre reconhecer a experiência

No meio de tanta gente nova no mercado, tenho que admitir que fico até orgulhosa de algumas pessoas da minha geração se destacarem empreendendo. A gente sempre se acostumou a ouvir muito dos nossos pais e avós que só existiam algumas caminhos para fazer sucesso e graças a revolução tecnológica nós conseguimos provar que existem mais caminhos. 

Mas sabe… Depois de tanto bater cabeça e não querer ouvir o que eles tinham a dizer eu comecei a ver que muitas vezes a gente acabava encontrando mais do mesmo. A gente encontrava pessoas que sabiam o mesmo que você e até menos. Tudo por conta da idade, por conta desse espaço que foi aberto para os mais jovens assumirem postos de comando. Nem digo que sejam todos os casos, ok? Tem muita gente de 20, 30 bem competente. Como se a pessoa tivesse nascido agora aquilo e temos que reconhecer. 

Mas tem muita gente que tem idade e que tá fora do mercado unicamente pela idade, porque experiência é que não é. O mercado e o sistema tem essa coisa de colocar um prazo de validade nas pessoas e eu fico muito estarrecida. A qualidade dos serviços anda caindo demais, coisa que um pouco mais atrás era referência. Hoje se vê serviços e produtos cada vez mais caros e que não entregam durabilidade, qualidade e cuidado. 

Estamos sendo ensinados praticamente por pessoas da nossa idade ou que não agregam como pessoas que tem a idade dos nossos pais e avós. Aqueles que você chama de tradicionais, mas que depois de você bater um pouco a cabeça, acaba dando razão. Isso mesmo. Razão a experiência. A imbatível experiência, que pode ser agregada com a nossa também por conta dos tempos modernos, mas que deve ser valorizada. Eles estavam aqui antes e os tempos eram mais difíceis. 

Não quero soar conservadora, por mais que eu tenha lá meus traços, mas o primeiro que quero soar é que quero lembrar daquilo que meus pais me ensinaram para chegar até aqui e sei que não encontro em mais lugar nenhum. É dar valor às raízes. Queria encontrar de novo pessoas assim em postos de chefia, pois sei que teríamos muito a trocar uns com os outros.

Só que confesso que tenho receio que com o passar dos anos a validade das pessoas só diminua e daqui a pouco a gente não saiba direito aonde achar as verdadeiras fontes de informação, a experiência dessas pessoas e dar valor enquanto houver tempo. 

•foto: Simon Wijers

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