Parem de separar o marketing da criatividade

Sou uma pessoa de livrarias. Gosto de ler, do cheiro de livro novo, de descobrir novas narrativas e formas de contar de histórias. Pudera, sou redatora de formação e de coração. E, sofrendo com a crise literária que anda assombrando os leitores do país, sempre que posso, frequento esses espaços com aquele medinho de que, logo menos eles deixem de existir.

Pois bem, numa dessas jornadas estava eu passeando numa das grandes — e ainda sobreviventes — livrarias da cidade em uma noite chuvosa, bem no meio da semana, e acabei tropeçando em um lançamento de um novo título. O tema? Marketing!

Logo pensei em networking, naquela felicidade de encontrar várias pessoas da área em um mesmo local e, quem sabe, puxar um papo despretensioso, falar sobre as aventuras da profissão, naquela famosa relação empresa-agência e, em um novo quem sabe, trocar alguns cartões de visita (porque os eventos também estão aí para isso).

Fui cercando o local, olhando os banners de divulgação do evento, tentado descobrir algum rosto conhecido na fila de autógrafos e parei na frente de um display de chão que deveria servir para atrair a atenção dos passantes. A frase de destaque era: “marketing não é criatividade”.

Como assim, senhores?

·        Se não houver criatividade, o que diferencia o marketing de um simples ato de troca de produtos por dinheiro?

·        O que faz a tal “alma do negócio” se reinventar a cada dia senão a criatividade?

·        Como buscar formas diferentes de divulgar uma mesma coisa se não existir um impulso criativo?

Voltei para casa com essas e mais um outro combo de perguntas da cabeça e repetindo em voz alta que é preciso criatividade sim!

Para conquistar o público a cada dia, para fazer aquele planejamento genial, para fazer um PPT que só de olhar já convença a diretoria a topar a sua ideia, para transformar o caminho de todo dia em algo interessante e mesmo para acordar cedo nos dias úteis e fazer a diferença nesse mundão lá fora.

Foi preciso criatividade, inclusive, para escolher o local certo do tal display de chão com a frase de efeito que tanto incomodou o meu ego publicitário no meio daquele lançamento cheio de convidados de terno, gravata, salto alto e nenhum All Star.

No final das contas, ainda não sei se fui pega por uma estratégia que queria me levar ao questionamento, mas sei que separar o marketing da criatividade certamente não é uma boa tática para driblar a árdua tarefa de descobrir novos meios e formas de vender e encantar os consumidores.

Aliás, é preciso lembrar que esses dois conceitos fazem parte de um universo maior chamado de comunicação e que, separados, nenhum dos dois têm poder para vencer os desafios do mercado. Palavra de redatora.

• foto: My Life Through A Lens

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