O que eu aprendi com o Wanderley do karaokê

Sempre achei karaokês muito interessantes. Mas falo daqueles “clássicos”, sabe? Iluminação mais baixa, playlist com opções de gosto duvidoso — mas nem por isso menos divertidas de serem cantadas — e um público bastante simpático e sempre disposto a aplaudir aqueles que têm a coragem de subir ao palco e soltar a voz sem medo.

E eu, como uma não-cantora por um misto de falta de oportunidade, técnica e cara de pau, sempre me senti muito à vontade e bem acolhida nesses bares com palco para dar vazão àquele projeto nunca realizado de participar de uma banda de rock.

Por fim, foi numa dessas incursões a algum karaokê da cidade que conheci o Wanderley. E musicalmente falando…

·        Wanderley não entrava no tom;

·        Wanderley não ligava para o ritmo;

·        Wanderley pouco se importava com a letra;

·        Wanderley reinventava o conceito de afinação.

Mas Wanderley, seguramente, estava se divertindo mais do que qualquer um ali presente e ganhou a simpatia de todo o público naquela noite. Enquanto eu me preocupava muitíssimo em escolher aquelas canções que combinavam com o meu timbre e iriam garantir um resultado aceitável, Wanderley voltou para casa mais feliz e realizado.

E o que eu aprendi com isso?

Bom, depois de um pouco de reflexão pensei em como a autocobrança e necessidade de acertar tudo na mosca e de primeira pode acabar minando a nossa diversão e, consequentemente, o nosso processo criativo.

Afinal, embora o trabalho da área de comunicação tenha essa carinha toda irreverente e modernosa, a verdade é que ele também engloba números, resultados e toda a seriedade de lidar com a verba e as expectativas do cliente.

Mas na hora de encontrar aquela inspiração incrível, que vai conquistar o coração do público, o processo criativo precisa ser mais leve, prazeroso e sem amarras, como a performance do Wanderley, que encontrou no seu hobby a válvula de escape perfeita para lidar com os desafios do dia a dia.

O segredo, meus amigos, está no equilíbrio!

•foto: Kane Reinholdtsen

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