Criatividade em pauta

Uma cientista da área de nanotecnologia; um ator; um arquiteto; um criativo sem área definida; um criador de monstros; um escritor. Esses e outros personagens compõem o documentário Como o Cérebro Cria, do neurocientista David Eagleman.

O filme se propõe a explicar a fisiologia da criatividade por meio de conceitos e exemplos práticos. E os personagens foram escolhidos a dedo para nos dar a ideia do que uma mente aberta ao criativo é capaz.

Primeiramente, David afirma que a criatividade não é exclusiva de um grupo seleto; a criatividade é o que o cérebro humano faz. Nossa diferença para os animais está na capacidade de nosso cérebro processar informações complexas de maneira quase ilimitada. Na evolução da nossa espécie, com o aumento do córtex, veio a expansão de uma área que se localiza na região da testa, o córtex pré-frontal. Essa área acabou sendo a fonte da imaginação humana. O córtex pré-frontal nos permite imaginar o que não está na nossa frente, ele não se apega ao espaço e tempo atual e nos permite “viajar” para outro lugar. 

A cientista Michelle Khein precisou acionar essa poderosa rede neural para resolver um grande problema: ela precisava de um local para pesquisar, porém seu laboratório estava em construção. Esse gap poderia arruinar sua carreira, e no momento de desespero ela se lembrou de um brinquedo da infância, no qual ela desenhava algo em cima de um determinado tipo de material, colocava no forno e, com o aquecimento, aquele desenho sofria uma redução considerável de tamanho. Trabalhando com nanotecnologia e sem recursos para ferramentas que atendessem às particularidades deste segmento, Michelle aplicou a técnica deste brinquedo para montar seu aparato nanotecnológico. Isso revolucionou seu setor!

Outro personagem que o neurocientista trouxe foi o inventor Nathan Myhrvold. Ex-diretor de tecnologia da Microsoft, considerado por Bill Gates um dos homens mais inteligentes que ele conheceu, Nathan revolucionou a área de gastronomia com sua cozinha experimental. Além disso, participou da criação de mais de 800 invenções patenteadas nos EUA, entre elas a que envolve um reator. E, para terminar, é especialista em dinossauros. Segundo ele, pegar ideias de um lugar e aplicá-las em outro é o que move sua criatividade.

Para finalizar, David dá três dicas para aproveitarmos nossas conexões cerebrais para fabricar ideias:

  1. Tente algo novo: mude de carreira, aprenda uma nova habilidade, ou qualquer coisa que te ofereça um aprendizado inédito.
  2. Ultrapasse limites: tente equilibrar ideias criativas com o que é conhecido. Muitas vezes algo muito inovador pode ser entendido pela maioria das pessoas; outras vezes, fazer mais do mesmo pode entediar as pessoas. Então encontre esse equilíbrio, sempre pensando em ultrapassar limites, mas “não muito” para não se tornar incompreendido.
  3. Não tenha medo do fracasso: encare-o como parte do processo. “A realidade é que o sucesso da maioria das pessoas surge das cinzas de seus fracassos anteriores”, afirmou David.

•foto: Nong Vang

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