A garota esquisita do teste

Tem dias em que acreditar em nós mesmos é último clichê que queremos ouvir…E também é a única salvação. E que nó que isso dá! Quem nunca acordou já se achando a pior pessoa do mundo que atire a primeira pedra. Quando a gente tá atrasado, então… Pois é. E só pra você saber que não está só nesses dias caóticos, hoje vou falar sobre uma garota meio esquisita pra quem vê de fora… Que fala sozinha na rua (ou consigo mesma, pra exercitarmos nossa empatia rs), fala espanhol no elevador (e NÃO sabe falar espanhol), demora uma semana pra desfazer as malas depois de uma viagem, vive brigando com o próprio cabelo e se acha sua pior inimiga. Se a carapuça servir…

Acontece que essa garota mora dentro de mim. Algumas vezes eu me esforço tanto pra negar a estranheza dela que esqueço que tudo que ela quer é o meu bem. Acontece. Mas antes de tentar melhorar, é preciso ser genuíno, é preciso estar inteiro. Não faz sentido inventarem um novo modelo de celular se não existir um antigo inteirinho pronto nas mãos de alguém.

Pode parecer que não tem nada a ver, mas descobri de maneira embaraçosa que eu tinha que me aceitar por inteiro – e ter orgulho de quem eu sou – para poder evoluir e amadurecer.  Eu precisava estar presente por inteiro para poder ser minha melhor versão, ou pelo menos a melhor versão que quero assumir para minha vida profissional. E foi uma situação prática, despretensiosa que me despertou esse clique.

Eu estava numa aula de um curso que almejei muito fazer; era o primeiro dia de aula e seria a primeira gravação com câmera, sem indicação nenhuma do professor. Cheguei no ambiente e já tinham algumas pessoas que esperavam a aula começar. Toda vez antes de entrar em cena, já venho aquecendo minha voz e me preparando no caminho, mas sempre tento estender meu aquecimento ao máximo, me aquecendo para a cena até o último minuto possível. É uma coisa minha. Então eu cheguei lá, todo mundo blasé, um ar condicionado congelante, duas pessoas fumando, eu era a pessoa mais jovem da sala. Ok, não vou passar vergonha me aquecendo, foi a primeira coisa que eu pensei. Disfarcei, fui ao banheiro fazer mais uns exercícios de voz, alonguei os braços sentadíssima numa cadeira pra ninguém julgar o que eu estava fazendo (ou pelo menos tentando fazer). As gravações começaram, e eu saí satisfeita com meu take; o professor-diretor também, com o meu trabalho. Tudo parecia melhor do que o esperado… Até que tive que ouvi-lo reclamar muito seriamente (com um ar de desaprovação que julgava que não tínhamos respeito pelo que fazíamos) que não viu sequer um ator se aquecendo, preparando a voz ou o corpo em sala, antes de entrar em cena. Empalideci na hora. Se eu tivesse sido eu mesma, teria atingido a única pessoa cuja opinião me importava naquela sala: o professor. Imediatamente me odiei por mudar meu jeito de ser e de trabalhar só por causa das pessoas que estavam ao meu redor, que não sei por qual razão me deixei intimidar. Quis voltar no tempo, levantar a mão e explicar que me aqueci escondida. Tudo isso me pareceu patético logo em seguida e permaneci em silêncio. Minhas justificativas me pareceram patéticas, mas a lição que eu aprendi, não.

Você tem uma coisa que ninguém mais tem. Você pode achar esquisito, odiar e esconder isso do mundo. Mas pode ser que sua essência seja o que está faltando em um ambiente. Ou no mundo de outra pessoa. E principalmente, no seu.

Seja sua maior torcida, sua melhor companhia, seu maior compromisso pra poder passar para a próxima etapa; você não tem ideia do que te aguarda lá. Você se deve essa. Aquele “eu” que te trouxe até aqui já passou da hora de ser promovido.   

•foto: Anthony Ginsbrook

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