A arte de pensar

Você sabia que existe um emaranhado de pensamentos que circundam nossas vidas mas que sem percebermos são totalmente alheios à nós mesmos? A concepção de sucesso, por exemplo, de onde nasce? O que entendemos por trabalho? E a sua noção do que é belo? Se é verdade que as crianças revelam para nós aquilo que está mais próximo da verdade, é natural que aprendamos a esconder a verdade com o passar dos anos?

É preciso muito discernimento individual para nos mantermos autênticos. A cultura molda nossos hábitos, nossas crenças, a maneira que nos vestimos. Mas daí vem a pergunta: por que não mantemos essa autenticidade? A resposta, caro leitor da Wejam, você já deve saber. É porque somos seres sociais. Nós dependemos uns dos outros. É por isso que abandonamos aquela verdade individual. Afinal, quem gostaria de conviver com aquele indivíduo “super sincero” que te diz na lata se você está bonita ou não; que fala da maneira como você come por não ser das elegantes; e que você poderia andar de um modo diferente se colocasse os braços um pouco menos para trás com os pés menos lateralizados? 

Ok. Em toda esquina tem um chato. Mas o que falar daquelas crenças limitantes que nos impedem de atingir nossos anseios mais nobres? Esses me preocupam mais. No Ocidente, a maioria das crianças aprende a acreditar no Papai Noel. Até que chega certa idade em que a dúvida começa a se instalar nas suas cabecinhas. A mesma coisa acontece com aquelas crenças limitantes: “Você não nasceu para isso”, “Você tem que seguir esse caminho porque a realidade é dura”. E o inverso também, aquelas famosas frases de transformação coaching: “Sonhe mais alto e você atingirá o sucesso”, “Faça aquilo que você ama e deixe de trabalhar para os outros”. Esses são exemplos de diretrizes introjetadas cotidianamente no nosso “self”.

E sobre Deus, de que formas o enxergamos? Se Papai Noel pode ser encontrado nos fins de ano de todos os shoppings, onde Deus poderá ser visto? É essa parcela de individualidade que estou falando. Se somos criaturas, de que maneira você assume a existência do Criador na sua vida? 

Leitor, não importa a sua crença, mas que tal começar a perceber a maneira como os pensamentos são criados? De onde saem essas vozes? Foram elas criadas por você ou foram alheias e já estavam lá antes de você nascer? 

Você pode ajustar a sua individualidade com seu propósito se conseguir silenciar esse emaranhado de vozes. Isso não acontecerá do dia para a noite mas dependerá de muito esforço. Exigirá de você conhecer seus pensamentos e saber que eles podem ser alheios, exigirá de você uma sensibilidade extra do comum para saber se aquilo realmente te dá prazer, exigirá de você controlar o seu próprio corpo para que os hábitos aos quais ele se acostumou comecem a se modificar: que tal beber menos refrigerante, fumar menos aquela semana, e mudar o cardápio que a sua família te coloca no prato sugerindo para eles as novas dicas disponíveis na internet?

É uma construção que vale à pena. Daí em diante, você se sentirá mais próximo do Criador, fazendo tudo aquilo que ele te capacitou até o seu limite de Criatura.

•foto: Diana Parkhouse

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