A arte da escuta e a reunião de condomínio

Sabe aquele tipo de compromisso que você daria tudo para faltar mas não pode? Pois bem, é como eu defino uma reunião de condomínio. E, por um acaso, é exatamente onde eu estava…

Não sou dona da casa em que eu moro, não pretendo comprá-la tão cedo e tenho uma preguiça monumental daquelas discussões que duram horas só para ninguém definir se o conceito de unanimidade de votos precisa mesmo corresponder a 100% ou se pode ser rebaixado a 87,8% ignorando todas as regras matemáticas e linguísticas.

E durante o tempo que passei ali, sentadinha anotando cada tópico da ata que poderia correr o risco de bagunçar o meu orçamento do mês, terminei fazendo uma lista de observações sobre a comunicação coletiva e a arte de saber ouvir.

Terminei concluindo que, sem boas habilidades de escuta, fica difícil comunicar com qualidade; se não pararmos para ouvir o que “o outro lado” tem a dizer, não é possível encontrar argumentos que sejam realmente relevantes. Por fim, se um condômino realmente prestasse atenção ao que outro estava dizendo, não haveria tantos comentários repetitivos, nem tantas dúvidas por pura falta de concentração, a reunião fluiria mais facilmente e os objetivos seriam atingidos com mais assertividade.

É mais ou menos como aprender uma música nova: para saber como encaixar a letra na melodia ou, pelo menos, cantar direitinho no luau (mesmo que você não tenha um incrível dom para reconhecer as finas nuances de tom e afinação), é preciso ouvir a canção algumas vezes — e com alguma atenção — para que o resultado seja minimamente eficiente.

Ainda sobrevivendo à reunião de condomínio, pensei que esse princípio podia se aplicar muito àquele encontro de moradores e ainda se tornar uma boa lição de comunicação: sobre a importância de ouvir o cliente, ouvir o público e, até mesmo, ouvir a concorrência que fica no nosso pé!

Se a gente escutar direitinho, fica mais fácil aprender sobre as necessidades e os desejos desse tal de “target” e, assim, acertar na mosca na hora de deixar o nosso recado!

•foto: Oleg Laptev

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